Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Arrastão on-line

Seguem nessa tarrafa eletrônica mais três iscas:
- clique aqui e leia um ótimo texto sobre a "neutralidade da rede", escrito por Jarbas Jácome;
- tá on-line o mais novo recanto do h.d. mabuse: Fairplay;
- e o novo site da Nação Zumbi!

Divirtam-se...

Domingo, 12 de Julho de 2009

Balanço cultural do século XX - notas dominicais

"a arte do século XX e as pesquisas antropológicas relativizaram as 'leis' estéticas dos períodos clássicos. Estas parecem eternas e imutáveis só no âmbito restrito das escolas de Belas Artes ou dos conservatórios de Música mais tradicionais, que tendem a repetir fórmulas consagradas na Renascença (para as artes plásticas) e na fase áurea da música tonal (séculos XVII a XIX). O conhecimento cada vez mais extenso e profundo das artes pré-colombianas, africanas e da cultura popular de todo o mundo prova à saciedade que as leis de perspectiva e simetria, assim como as regras de harmonia tonal, são apenas casos particulares, historicamente situados, de tendências estéticas universais que talvez se pudessem batizar com o nome de estruturais."
(Alfredo Bosi no livro Reflexões sobre a Arte)

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Aula contra o AI-5 Digital


Se liguem e bom final de semana...

Caravana do movimento pelas rádios e tvs públicas de Pernambuco

E-mail recebido hoje:

Dando continuidade ao nosso calendário de atividades, nesta segunda-feira, dia 13 de julho de 2009, a partir das 13:45, com concentração na Torre Malakoff, vamos realizar uma caravana em direção ao Palácio das Princesas, à Reitoria da UFPE e à Prefeitura do Recife para entregar oficialmente ao governador do Estado, ao reitor da Universidade Federal de Pernambuco e ao prefeito da Capital nosso Manifesto Cultura e Comunicação.
O que cobramos dessas autoridades é o compromisso pela instalação imediata de um processo de discussão pública, aberta, democrática dos destinos e da gestão da TV Pernambuco, das rádios e TV Universitária e da rádio Frei Caneca.
Se você é músico, compositor, cantor, artista plástico, poeta, cordelista, design, ator ou atriz, atua no audiovisual, nas artes cênicas - teatro, dança e circo -, literatura, ciclos culturais, participa de qualquer outro segmento artístico no estado e entende a comunicação como um direito humano, JUNTE-SE A NÓS!!!
Compareça, participe, venha com um instrumento ou produto do teu trabalho, para mostrar em alto e bom som a força da nossa produção cultural, nosso imenso potencial e desejo de nos comunicarmos com a sociedade pernambucana.
E para dizer com todas as letras que precisamos transformar nossos canais de comunicação de estatais em públicos, onde exista controle social permanente, onde prevaleçam novos modelos de gestão pública, onde sejam contempladas a nossa riqueza e diversidade cultural. Que todos tenham espaço e presença fortes nas ondas radiofônicas e televisivas do Estado.
Vamos reafirmar que comunicação é direito essencial de todo ser humano, o que no mundo de hoje só se realiza se os meios massivos estão disponíveis, de alguma maneira, para todas as pessoas.
Não esqueça e lembre as pessoas com quem você trabalha e convive: DEPENDE DE NÓS!!!
Recife, 08 de julho de 2009.
- ABRAÇO (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária) – Napoleão Roab

- ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes) - Paulo André Pires

- ASSOC. DOS PROFESSORES DO CONSERVATÓRIO PERNAMBUCANO DE MÚSICA - Antonio Barreto Filho

- ASSOCIAÇÃO DOS SAXOFONISTAS DO ESTADO DE PERNAMBUCO – Alex Corezzi

- CALDEIRA CULTURAL BRASILEIRA – Arthur Emilio do Nascimento

- CENTRO DE CULTURA LUIZ FREIRE – Eduardo Homem

- ESCUTA SETORIAL DE MÚSICA DO ESTADO DE PE – Roger de Renor

- FEDERAÇÃO DE BANDAS DE MÚSICA DO ESTADO DE PERNAMBUCO – Renan Pimenta Filho

- FORUM PERMANENTE DA MÚSICA DE PERNAMBUCO – Adriano Araújo

- MNDH-PE (Movimento Nacional de Direitos Humanos) – Ivan Moraes

- MOVIMENTO SAMBA AUTORAL – Paulo Cesar Mendes

- SATED-PE (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Diversão do Estado de Pernambuco) – Ivonete Melo

- SINDICATO DOS MÚSICOS PROFISSIONAIS DO ESTADO DE PERNAMBCO – Sara Nascimento

- SOCIEDADE DOS FORROZEIROS PÉ DE SERRA E AI – Tereza Accioly

- UBC (União Brasileira de Compositores) – Márcia Xavier

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

História do Estado brasileiro

Segue um ótimo texto encontrado hoje no site Carta Maior:

Origens dos privilégios

O Estado para muitos dos críticos e dos que ocupam postos transitórios não passa de um negócio, um momento ímpar para acumular capital e gozar de privilégios incontáveis. As grandes mídias destacam alguns poucos episódios e os exploram à exaustão. Não há interesse em analisar esse problema em profundidade.

Luís Carlos Lopes

Há quem acredite que não se deva mexer no passado, ainda mais em ideologias que, segundo os presentistas de plantão, teriam saído de foco e consideradas ultrapassadas. Negam, como todos os negacionistas, evidências de que determinadas situações só podem ser realmente compreendidas, se voltamos às suas origens. Insistem em um modo de pensar com mais de mil anos de existência, nascido do medievo europeu. Neste, o que está posto, posto está, e não há o que discutir. Ficam possessos toda vez que encontram uma voz - mesmo que seja única ou com poucos ecos - discordante de suas certezas inabaláveis.

As origens do Estado brasileiro não nos deixam mentir. Ele surgiu no contexto da escravidão e de uma monarquia absoluta, travestida de constitucional. Na segunda metade do século XIX, no governo de Pedro II, este Estado se consolidou e parte de suas estruturas simbólicas estão presentes ainda hoje. O impacto disto na sociedade brasileira é imenso. O Estado brasileiro tem uma história que só pode ser compreendida na sociedade onde nasceu e se desenvolveu. Ele não é um corpo estranho, por mais que o possa parecer em algumas situações. Tem forte ligação com estruturas sociais que o suportam e retroalimentam, na posição de reais governantes e de verdadeiros governados.

Os privilégios que vêm sendo estampados nas grandes mídias existem de longa data. Vêm sendo mantidos sem maiores problemas, há quase duzentos anos. Por aqui, jamais houve uma revolução social profunda que os questionassem. A diferença de hoje para um passado remoto é que preciso mantê-los de modo mais cauteloso, ainda mais quando incluem as mais descaradas formas de nepotismo, clientelismo, mordomias e outros atos corruptos. A manutenção de "dinastias" políticas não é estranha a uma sociedade de privilégios aristocráticos, onde as benesses do poder são passadas de geração para geração.

No passado, era ainda mais fácil naturalizá-los. A emergência de uma sociedade de massas, altamente midiatizada, tornou esta operação mais difícil. Nos tempos da ditadura, o Estado era o guardião de todas as aberrações da sociedade brasileira. Depois dela, os consensos sociais ficaram de obtenção mais complexa e em situações pré-eleitorais tornam-se ainda mais fácil a manipulação dos mesmos. Os pactos de sigilo podem se romper abruptamente e os segredos, parcimoniosamente, trafegarem inesperadamente em um universo instável: o das mídias.

Jamais são revelados completamente. E quase ninguém tem coragem de falar no caráter corruptor do Estado e das classes dominantes. É proibido dizer que a velha máquina absorve e recicla o material humano que recebe e que sua experiência na matéria é bem antiga, remonta ao Império. A retórica vem a galope dos que se opõem e querem lá estar para fazer o mesmo ou bem pior. Não poucos posam como santos "de pau-oco" em um momento, para, a seguir, desenvolver as práticas nefandas habituais desta velha organização. Por isso, é importante prestar atenção nas críticas, acusações e denúncias que fazem. Ver atrás delas, o rio de interesses que carregam, sem qualquer problema ético.

O Estado para muitos dos críticos e dos que ocupam postos transitórios não passa de um negócio, um momento ímpar para acumular capital e gozar de privilégios incontáveis. Estes fazem com que os que os privilegiados pensem que vivem em um mundo para além do capital, apesar de ser sustentado pelo mesmo. Acreditam que são parte de uma espécie de nobreza, agregada a uma realeza de ficção. Sonham com castelos, mesmo que sejam em Minas, com mordomos, mesmo que estejam longe da finesse desta profissão aristocrática.

Com o dinheiro do Estado, farto e gratuito, podem imaginar suas vidas como quiserem. Se desejarem, podem fazer viagens inesquecíveis, festas memoráveis etc. Se forem descobertos, apelam para os mil e um aliados com rabos tão grandes como os deles, que farão de tudo para protegê-los. Afinal, estarão protegendo a eles mesmos. Por isso, sobrevivem, mesmo quando são réus confessos ou contra os quais existam provas irrefutáveis. Cumprem o protocolo, aceitando algumas sanções, e conseguem, tal como príncipes e princesas, retornar ao pedestal da fama, por vezes, em posição inferior a que tinham antes.

É verdade que alguns parecem que saíram de filmes de terror classe B. São patéticos e mentem com impressionante naturalidade. Existe uma grande distância entre o que imaginam ser e o que realmente são. Uma das dimensões do drama em que vivem é o apoio obrigatório de suas clientelas. Ai delas, se não seguirem o script! Nos domínios dos seus currais eleitorais, são considerados por muitos como vencedores e, não raro, injustiçados. Até a compaixão precisam comprar! Acham tudo isto natural e reclamam da incompreensão dos que não se deixam iludir.

As grandes mídias destacam alguns poucos episódios e os exploram à exaustão. Não há interesse em analisar em profundidade, em demonstrar que por trás de alguns fatos existe muito mais. Não se discute a natureza do Estado e nem medidas que de fato poderiam melhorá-lo, tais como a extinção de algumas instâncias, a diminuição de outras e a punição exemplar. O Estado é grande e caro em órgãos de necessidade discutível e pequeno demais naqueles que atendem os principais interesses da população - saúde, educação e cultura. Não é isso que os abutres querem. Ao contrário, eles acham que investir nestas três atividades é coisa do passado. O que eles querem são mais privilégios e continuar, como sempre, usando o Estado como forma de aumentar os seus patrimônios pessoais ou empresariais.

Luís Carlos Lopes é professor.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Contra o AI-5 Digital!

Aos que tão em Belo Horizonte: ainda dá tempo de chegar aqui!

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Alô, alô, seu governo?!

Pobres trabalham quase duas vezes mais que ricos para pagar tributos

SÃO PAULO - Pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou que a população de menor renda tem de trabalhar quase duas vezes mais do que a de alta renda para arcar com o pagamento de tributos.

Intitulado "Receita Pública: Quem paga e como se gasta no Brasil", o estudo mostrou que, enquanto as famílias com renda mensal de até dois salários mínimos têm de trabalhar 197 dias para arcar com o pagamento de tributos, aquelas com renda mensal de mais de 30 salários mínimos têm de trabalhar apenas 106 dias.

O estudo argumenta que, no Brasil, "a distribuição do ônus tributário se dá de modo heterogêneo, com alguns setores da população sendo mais afetados do que outros", o que não deveria acontecer tomando como base o princípio da Equidade ou da Capacidade Contributiva, em que exige-se menos esforço de pagamento tributário de quem tem menor capacidade econômica.

Carga tributária

De acordo com os dados, que foram divulgados nesta terça-feira (30), a carga tributária bruta brasileira cresceu de 32,8% em 2004 para 36,2% em 2008, mas de forma diferente para cada parcela da população, de acordo com a tabela abaixo:


Faixa de renda CT 2004 CT 2008
até 2 mínimos 48,8% 53,9%
2 a 3 mínimos 38% 41,9%
3 a 5 mínimos 33,9% 37,4%
5 a 6 mínimos 32% 35,3%
6 a 8 mínimos 31,7% 35%
8 a 10 mínimos 31,7% 35%
10 a 15 mínimos 30,5% 33,7%
15 a 20 mínimos 28,4% 31,3%
20 a 30 mínimos 28,7% 31,7%
mais de 30 mínimos 26,3% 29%
Total 32,8% 36,2%

Fonte: Ipea

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Moonwalk in the sky...

Segue abaixo uma homenagem deste Dr. E. ao Mago do Passo (crônica escrita por Xico Sá publicada no velho site O Carapuceiro e que integrará uma coletânea com os melhores textos deste órgão organizada pelo editor aqui juntamente com a diva Adriana Vaz)

O maior passo da humanidade
Nascimento do Passo, gênio das 70 e tantas mungangas do frevo, que me desculpe; os velhos e bons b-boys, idem ibidem; os mestres dos baques solto e virado que me perdoem; Elvis, pomba-gira da pele branca, negocie; Fred Astaire, nego, não se revire no desenho pontilhado dos seus respeitáveis sete palmos; funkadelics forever, Chicago e Belém com as suas aparelhagens, samba, samba, samba, candomblé, os deuses que dançam, a todos o meu respeito e o sangue sem mertiolate dos meus joelhos…
Mas, na boa, o maior passo da humanidade se deu quando o primeiro negro pisou na lua: salve Michael Jackson, um, dois, espírito a três passos do chão, me encoxe, wanna take you on a moonwalk…
Ele vai pagar a vida inteira por ter sido maior que Armstrong e sua gangue, por ter fincado a bandeira da sua tara acima de todos os musicais de todas as tendências… Wanna take you on a magic carpet ride…
Salve os bois bumbás, os tchans, o samba duro, as lias de itamaracás, a ciência sob o calçamento do Mangue, a fulerage, a macumba da japonega, mas, peraí, ninguém levitou tão bonito quanto esse rapaz!
Forever my love, you’ll be mine. A lua, esse conhaque, o passo da humanidade, comovido com alma perra e carapuça de jabá-pop à vera.
Eu sei, ele perdeu o nariz original como o carinha do barbeiro de Gogol, mas pouco importa, não o diminui como o primeiro negro a pisar a areia movediça da lua.
A América nunca vai perdoar o seu primeiro negro mais leve que as folhas das folhas da relva, coitada d’América…
Ninguém, nem o mais mungangueiro dos artistas populares, nem os comedores de vidros, ninguém sob a lona do nosso Soleil, ninguém no farol, ninguém no sinal…
Nunca houve um passo tão lindo, ajoelhe e reze sr. Balé clássico, bata palmas, morra
de inveja, gaste a arrogância das sapatilhas…
Nunca houve um passo como moonwalk, nunca houve mais linda invasão à lua dos doidos varridos, Michael Jackson nunca caiu nesse agá minúsculo, pra enganar moça, ora direis, de pisar nos astros distraído.
Ele andou palmos acima, seu mar vermelho, tábuas sagradas, Moisés da hora, por entre as nuvens do auto-engano, por entre os dez mandamentos, a terra é azul….
e ele, marcha à ré, se move.
Estátua.
Stop.
Parou ele ou parou o pop?


Michael 1959-2009

E dancem bem muito no final de semana...

Situação das rádios e TVs públicas em Pernambuco (nova reunião)

Repassando o e-mail recebido hoje pela manhã:

Pessoal,

Dando continuidade ao debate público sobre a situação das Rádios e TVs Públicas em Pernambuco, será realizado no próximo dia 02.07.09(quinta-feira), às 19h, na Livraria Cultura, nosso segundo encontro. Vamos aprofundar as discussões e fazer os encaminhamentos necessários.

Durante a reunião o Manisfesto Cultura e Comunicação estará a disposição para assinatura dos presentes.

Na articulação para o encontro da Livraria Cultura temos também a valiosa contribuição do companheiro Carlota, cujo contato pode ser feito pelo tel. 91931002 ou pelo email: carlosproducoes@gmail.com.

Vamos comparecer, vamos participar!!!

Saudações a todas e todos,
Fórum Permanente da Música de Pernambuco
Coordenação: Publius Lentulus, Antônio Barreto Filho e Adriano Araújo

Domingo, 21 de Junho de 2009

Cabeça de barro - notas domênicas

“Era mais importante que eu aprendesse a usar minhas mãos que a minha cabeça.
Na minha terra as mãos produzem comida e a cabeça só produz confusão…”
Mestre Vitalino